O título deste artigo faz alusão à Filosofia, mais precisamente à obra “Do Contrato Social” de Jean Jaques Rousseau, suíço considerado um dos principais do Iluminismo.
Poucos autores retratam com tanta clareza o poder de um coletivo sobre a imposição tirânica da figura do ditador, o confronto de interesses pessoais versus o desejo da maioria como ele. Franceses unidos fizeram de suas teorias uma prática inevitável com a Grande Revolução. A ruptura estava anunciada e conceitos liberais se tornavam leis. A soberania passava então a residir na multidão e a ecoar nos quatro cantos do planeta anos depois.
A essa altura, você deve estar se perguntando o que um autor datado há três séculos pode acrescentar a um tempo em que intensas transformações acontecem, como o atual. Eu lhe digo, muito.
Estamos presenciando uma ruptura nas relações humanas causada principalmente pelo uso da internet. Se Rousseau abordou uma nova ordem de convivência social, cultivando valores agregados ao capital coletivo, hoje convivemos com uma sociedade digital, 24 horas por dia conectada, cujo comportamento norteia as ações de comunicação de todas as marcas.
Uma sociedade que como no século XVIII, está aprendendo a questionar imposições, agindo a favor do fluxo da coletividade e é forte oposição a qualquer obstáculo quando quer se posicionar. Quando falo obstáculo me refiro à vontade soberana de se relacionar com aquilo que deseja, de participar de decisões, de contar suas próprias histórias. Em contrapartida, observamos que o pensamento centralizador ainda é a ordem em muitas mentes que insistem em subjugar o fato de não mais termos uma propriedade intelectual, de sermos parte de uma rede indivisível, que não pode retroceder.
Quantas marcas ainda resguardam o direito (obviamente garantido pela propriedade) de não serem discutidas? Ora, se o conceito de criar experiência com o consumidor é amplamente difundido, o que seria isso senão abrir a marca para a inteligência que surge do coletivo? Estamos certos de que todo e qualquer tipo de produto e serviço é amplamente debatido e questionado em redes sociais. Não querer participar desse embate engessa a comunicação, tornando-a mais e mais imperativa apesar da “maquiagem social” e, no final, apenas mostra quanto o objetivo do plano de marketing está centrado em escoar positivamente uma produção, reter uma bela receita mensal e ponto. Não há como fugir, a web é um espelho.
Jean Jaques Rousseau e tantos outros pensadores revolucionários nos mostram que seus conceitos são atemporais e priorizam a liberdade das relações humanas a qualquer preço. Falar sobre revolução digital vai além de abordar novas tecnologias, é sobretudo levantar a bandeira de um novo pensamento. Uma nova visão que há séculos está aí, à nossa disposição.




















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