Olá pessoal!
Bem, a partir de hoje, estaremos semanalmente neste espaço estudando a tecnologia Java, da Sun. Neste primeiro artigo, vamos introduzir o ambiente de desenvolvimento Java e logo após vamos criar nosso primeiro APPLET.
Vamos à introdução:
Java é um projeto oriundo de um grupo de desenvolvedores que pretendia lançar um padrão de programação multiplataforma, onde fosse possível programar um único código fonte para que uma aplicação rodasse tanto em um PC quanto em um Mac, ou até mesmo em PDA´s e telefones celulares. Pode-se dizer que Java constitui um novo conceito em programação no sentido de que aproveita o que de mais poderoso existe em C++ fazendo melhoramentos na mesma, "renovando" sua estrutura. Muitos desenvolvedores dizem inclusive que Java é um C++ aplicado à Web, o que não é verdadeiro.
Vamos dar uma olhada nas principais características do Java:
1. Orientação à objetos
Já vimos as características e vantagens da metodologia de programação orientada à objetos. A tecnologia Java é toda baseada em classes, que representam o conjunto de métodos e valores para um determinado objeto, reconhecido como uma instância de classe. Podemos dizer que tudo em Java (com exceção de tipos primitivos como números, caracteres e booleanos) é objeto.
2. Portabilidade
Quando compilamos um código-fonte de alguma aplicação, utilizando qualquer linguagem de programação, transformamos instruções de alto-nível em linguagem de máquina (binária). Ao compilar um código Java, o compilador (javac ou javac_g) transforma o código em alto-nível em um arquivo binário com extensão .class. Este arquivo não é um arquivo binário comum. É um arquivo independente de plataforma, que chamamos de bytecode. É esse processo compilatório que gera bytecodes que garante à tecnologia Java uma independência de plataformas que a distingüe das outras linguagens.
3. Segurança
Java foi projetado para ser uma linguagem voltada à ambientes compartilhados. Segurança é um conceito chave em ambientes distribuídos e por isso foi um quesito que recebeu atenções redobradas quando do desenvolvimento da linguagem. Se alguém pensar em escrever algum código malicioso, terá enormes dificuldades para causar danos ao alvo. Isso porque Java não permite ler nem escrever arquivos locais residentes no disco. Isso significa que um applet Java rodando em algum site da Internet não terá acesso ao seu sistema de arquivos, o que limita bastante a atuação de aplicações mal-intencionadas.
4. Confiabilidade
Como foi dito anteriormente, os programadores Java não terão acesso aos ponteiros de memória. Isso garante uma confiabilidade e uma robustez maior ao software, já que elimina erros clássicos de violação à memória. Além disso, muitos erros de software são oriundos do fato de que o programa não libera a memória que deveria liberar ou a libera mais de uma vez. A tecnologia Java oferece o garbage collector (coletor de lixo), que garante um gerenciamento automático e eficaz de memória e evita erros de programação em relação ao acesso à memória, item bastante "delicado" em termos de programação.
5. Redes
A tecnologia Java foi projetada para rodar em ambientes de rede, seja ele a Internet, uma intranet ou uma extranet. Você pode utilizar applets Java em uma rede interna de uma empresa criando interfaces amigáveis para bancos de dados, catálogos, gerenciamento de documentos etc.
Pronto, agora vamos criar nosso primeiro Applet
Antes de começarmos a escrever applets, precisamos instalar o JDK, que pode ser obtido gratuitamente no site da Sun Microsystems (www.java.sun.com). Trata-se de um ambiente completo de desenvolvimento, onde encontraremos, entre outros, o compilador Java (javac) e o visualizador (appletviewer), entre outros. Faça o download do arquivo, extraia seu conteúdo (ele provavelmente estará em um arquivo .zip) e salve-o em uma pasta do tipo c:jdk[versão_do_kit].
Agora, escreveremos um pequeno applet que fará com que você comece a se habituar com o ambiente de desenvolvimento Java.
Chamaremos nosso applet de ola.java. Aliás, este é um dado importante. Todos os códigos Java que escreveremos serão salvos em um arquivo .java. Após o processo de compilação, será criado um arquivo com o mesmo nome daquele com extensão .java só que agora com extensão .class. Eis nosso código:
import java.applet.*;
import java.awt.*;
public class ola extends Applet
{
public void paint(Graphics g) // chamando paint
{
g.setColor(Color.red);
g.drawString("Olá Mundo",5,10);
}
}
Crie uma pasta em seu disco rígido para fazer seus testes de códigos, como por exemplo c:java. Feito isso, vamos agora compilar nosso primeiro applet Java. Salve o código acima em um arquivo chamado ola.java, no diretório c:java. Para poder usar os programas do JDK, você precisa alterar algumas variáveis de ambiente em seu arquivo autoexec.bat, fazendo com que o comando PATH inclua o caminho da pasta que contém o JDK. Em seguida, modificaremos o comando SET HOME adicionando o caminho de nosso diretório de testes (c:java). O exemplo abaixo mostra um arquivo autoexec.bat com as alterações nas variáveis de ambiente que tornam apto o desenvolvimento em Java:
SET PATH=[outros diretórios];c:jdk[versão_do_kit]in
SET HOME=c:java
Feitas as alterações, vamos à compilação. Vá até o prompt do DOS. Lá, utilize o comando javac como mostrado a seguir:
c:java> javac ola.java <ENTER>
Será criado assim, na pasta c:java, um arquivo chamado ola.class. Para visualisá-lo, precisaremos criar um documento HTML que faça referência ao arquivo. Para isso utilize o código abaixo e salve em um arquivo chamado ola.html na mesma pasta do arquivo ola.class.
<html>
<head>
<title>Teste - Olá Mundo</title>
</head>
<applet code="ola.class" width="300"
height="300"></applet>
</html>
A tag <APPLET> possui uma série de atributos que descreve os itens do projeto Java. A sintaxe completa da tag é:
<applet [codebase="URL
path"] code="nomedoArquivo" width="largura"
height="altura" [alt="texto"] [name="nome"]
[align="alinhamento] [vspace="espacoVertical' hspace="espacoHorizontal">
[<parameter_name="parametro" value="valor">
... </applet>
OBS.: Os atributos entre colchetes são opcionais.
Vejamos o resumo destes atributos:
codebase - Especifica
a URL ou diretório que contém as classes applet.
code - Especifia o nome de arquivo
de classe applet.
width - Especifica a largura
inicial da janela do applet.
height - Especifica a altura
inicial da janela do applet.
alt - Especifica o texto que
um browser que não possua suporte a Java irá mostrar no lugar
do applet.
name - Dá nome à instância do
applet.
align - Define o alinhamento
do applet na página.
vspace - Define a margem acima
e abaixo da applet.
hspace - Define as margens aos
lados da applet.
param - Passa valores com nomes
para a applet.
De volta ao exemplo, criamos um documento HTML que fará referência ao nosso applet. Ele será apresentado na tela do browser com um comprimento (atributo WIDTH) de 300 pixels e uma altura (atributo HEIGHT) de 300 pixels. Agora, podemos visualizar nosso primeiro applet de duas maneiras: utilizando o browser (simplesmente abrindo o arquivo ola.html) ou através do comando appletviewer, via prompt do DOS:
c:java> appletview ola.html <ENTER>
Ficamos hoje por aqui. Na semana que vem, escreveremos nosso primeiro aplicativo independente e veremos quais são as diferenças em relação aos applets.
Qualquer dúvida, envie um e-mail. Será um prazer ajudá-lo!
Abraço!